Uma história que atravessa décadas, carrega dor e ainda provoca arrepios em quem escuta. Assim nasceu o nome de um dos pontos mais conhecidos de São João do Ivaí: a chamada Curva do Caixão.

O episódio que deu origem à expressão aconteceu entre o fim da década de 1970 e início dos anos 1980, período em que o asfalto ainda era recente e a rodovia possuía características muito diferentes das atuais. Na época, a curva era extremamente fechada, cercada por morros altos dos dois lados, com pouca visibilidade para os motoristas. Havia ainda desníveis acentuados e canaletas profundas após o acostamento, o que aumentava significativamente o risco.
Naquele dia, familiares aguardavam em frente ao cemitério municipal a chegada do corpo de um ex-morador da cidade, que estava sendo transladado de São Paulo para o sepultamento. Era um dia comum de semana, com o comércio aberto e a rotina aparentemente tranquila — até que a notícia interrompeu tudo: a ambulância que trazia o corpo havia sofrido um grave acidente justamente naquela curva.
Segundo relatos reunidos pelo Canal HP, o veículo perdeu o controle ao fazer a curva. Sem visibilidade e possivelmente sem conhecer a estrada, o motorista acabou colidindo contra o barranco e a ambulância tombou. Com o impacto, o caixão foi arremessado para a pista e se abriu. O corpo acabou sendo lançado para fora, em uma cena que marcou profundamente todos que estiveram no local.
O motorista da ambulância chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois, aumentando ainda mais o peso da tragédia.
Um dos relatos mais marcantes é do senhor Milton Capelli, que era vizinho do senhor Antônio Pinheiro — o falecido que estava sendo transportado naquele dia. Ele esteve no local pouco tempo depois do acidente e relembra com detalhes o que viu.
“Quando avisaram a gente lá no cemitério, todo mundo correu pra cá. Era de manhã cedo, estava amanhecendo. Quando cheguei, o acidente tinha sido bem na curva. Ali era morro dos dois lados, bem fechado. A ambulância bateu no barranco e virou. O caixão caiu no meio do asfalto e o corpo também. Foi uma cena muito triste. Depois colocaram tudo de volta, mas aquilo ficou marcado pra sempre”, contou.

Milton ainda destaca que o motorista não conhecia a estrada, o que pode ter contribuído para o acidente. “Ele era de São Paulo. Aqui era muito diferente, a curva era fechada demais. A gente não sabe se ele dormiu ou se não conseguiu fazer a curva. Mas era perigoso demais”, relembra.
O senhor Antônio Pinheiro foi sepultado em São João do Ivaí, e a tragédia, além de interromper um momento já doloroso para a família, deixou uma marca permanente na memória coletiva da cidade.
No dia do acidente, estavam no carro funeral o motorista - que morreu - um filho do senhor Antonio e outro funcionário da funerária que não se feriram.
Com o passar dos anos, outros acidentes trágicos também foram registrados no mesmo ponto, reforçando a fama da curva. Mesmo com mudanças na estrada ao longo do tempo, o nome permaneceu carregado de história, dor e respeito.
Mais do que uma lenda urbana, a Curva do Caixão é um capítulo real e marcante da história de São João do Ivaí, lembrado até hoje por moradores antigos e que continua despertando sentimentos de medo em quem passa pelo local.