Produtores de bicho-da-seda em Godoy Moreira vivem um dos momentos mais difíceis já registrados na atividade. Cerca de 28 famílias enfrentam prejuízos que chegam a 80% nesta safra, em um cenário considerado inédito na sericicultura local.
O problema tem sido observado principalmente na fase final do ciclo, quando os bichos deveriam iniciar a formação dos casulos. No entanto, muitos simplesmente não produzem seda, enquanto outros apresentam sinais de deterioração interna.
A principal suspeita levantada pelos produtores é a contaminação por deriva de produtos químicos utilizados em lavouras próximas. Apesar disso, ninguém aponta culpados diretamente, e o foco agora é entender o que realmente aconteceu.
O supervisor da Bratac Seda, Edivelson Cândido, explica que a situação é atípica e preocupa toda a cadeia produtiva. “Na nossa região nunca tivemos um problema dessa dimensão. Em outros lugares já houve casos pontuais relacionados a produtos químicos, mas dessa vez atingiu praticamente todo o município. A gente não está aqui para acusar ninguém, mas tudo indica que seja uma questão de deriva. Precisamos descobrir a origem para evitar que isso volte a acontecer”, afirmou.
As análises já estão sendo conduzidas por órgãos competentes, como a Adapar, com apoio técnico de equipes de Campo Mourão e Ivaiporã, que devem identificar as causas e possíveis responsabilidades.
O secretário municipal de Agricultura, Darci Rosolem, destacou que o município está mobilizado para buscar respostas e apoiar os produtores. “Estamos trabalhando junto com os órgãos responsáveis para entender o que aconteceu. É uma situação nova, que nunca vimos dessa forma. A prefeitura segue dando suporte e incentivo à atividade, inclusive com a distribuição de esterco de frango, que já está com licitação marcada para o próximo mês”, disse.
Para os produtores, o impacto é devastador. Silvio da Fonseca Custódio, da comunidade Água do Cascudo, relata a frustração após um mês inteiro de trabalho perdido. “A gente fez todo o processo certinho, cuidou dos bichos, e quando chegou na hora de produzir, simplesmente não aconteceu. Nunca vi isso em tantos anos. É um prejuízo grande e a gente fica sem saber o que fazer”, lamentou.
O produtor Rony Marcos, também da Água do Cascudo, reforça a incerteza diante da situação. Ele saiu da cidade grande para voltar ao sítio e trabalhar ao lado do pai recentemente. “Os bichos estavam bonitos, comendo bem, tudo normal. Mas no final do ciclo não soltaram fio. A gente não teve nenhum sinal antes. Isso deixa a gente preocupado até com as próximas criações”, afirmou.
Já o produtor Cido Coelho, da comunidade Porto Gaúcho, destaca que o problema atinge diretamente a renda das famílias. “A gente trabalha o mês inteiro esperando esse retorno. Aqui, em dois barracões, daria entre 15 e 18 mil reais. É uma renda que não vem mais. E as contas continuam chegando”, disse.
Atualmente, mais de 60 famílias dependem da sericicultura em Godoy Moreira, o que representa impacto direto na economia local. Estima-se que cerca de R$ 200 mil deixem de circular no município devido às perdas desta safra, afetando também o comércio e outros setores.
Há ainda relatos de prejuízos semelhantes em municípios vizinhos, como Barbosa Ferraz, o que amplia a preocupação. Apesar das dificuldades, os produtores afirmam que não pretendem abandonar a atividade, mas cobram respostas rápidas para evitar novos prejuízos e garantir a continuidade da cultura no município.








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