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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Produção de bicho-da-seda em Godoy Moreira enfrenta ameaça com deriva de agrotóxicos



O município de Godoy Moreira vem se consolidando como um dos principais polos de produção de bicho-da-seda no Paraná, com destaque não apenas regional, mas também internacional. A qualidade do fio produzido no município tem chamado atenção, tanto que uma produtora local foi convidada pela empresa Bratac, responsável pelo processamento da seda no Estado, para participar de um encontro internacional em Lyon, na França.

Apesar do reconhecimento, a atividade enfrenta um problema que preocupa os produtores: a deriva de agrotóxicos provenientes de outras culturas agrícolas. A situação motivou uma reunião realizada na quinta-feira, 9 de abril, reunindo produtores, representantes do IDR-PR e da Adapar.


O gerente regional do IDR-PR em Ivaiporã, Eduardo, explicou que o encontro teve como foco ouvir os agricultores e buscar soluções para reduzir os impactos. Segundo ele, a principal consequência relatada é a mortandade dos bichos-da-seda, o que compromete diretamente o ciclo produtivo. Quando afetados, os insetos não conseguem completar o desenvolvimento, o que impede a formação dos casulos e gera prejuízos imediatos para os produtores.


A sericicultura tem peso significativo na economia de Godoy Moreira, especialmente por envolver majoritariamente a agricultura familiar. Dados apresentados na reunião apontam que cerca de 90% dos produtores são pequenos agricultores e que a atividade representa aproximadamente 14% da produção do município. Ao todo, cerca de 22 produtores dependem diretamente da criação do bicho-da-seda como fonte de renda.


Outro fator que agrava a situação é a diversidade de atividades agrícolas desenvolvidas no município. Em pequenas propriedades, convivem culturas como soja, milho, morango e maracujá, além da avicultura, tanto de corte quanto de postura. Esse cenário exige maior controle e responsabilidade na aplicação de defensivos agrícolas, já que o uso inadequado pode afetar diretamente outras produções sensíveis, como a sericicultura.

Diante do problema, os órgãos envolvidos devem avançar com medidas práticas nas próximas semanas. Entre as ações previstas estão reuniões com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, o mapeamento das propriedades que trabalham com o bicho-da-seda e a análise do entorno dessas áreas.


Também está prevista a intensificação de ações educativas e o incentivo ao uso de técnicas como o Manejo Integrado de Pragas, buscando reduzir a aplicação de defensivos e promover uma convivência mais equilibrada entre as diferentes atividades agrícolas no município.

 

Informações do Jornal Paraná Centro com edição do Canal HP

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