A jovem Ana Clara Oliveira, de 21 anos, que teve as mãos decepadas a golpes de foice pelo ex-cunhado em Quixeramobim, revelou um dos maiores medos que enfrentou após o ataque: não conseguir mais se comunicar com a mãe, que é surda.
Internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, Ana Clara contou que ela e a mãe desenvolveram ao longo dos anos uma forma própria de comunicação por gestos. “Na ambulância eu pensei: meu Deus, eu nunca mais vou conseguir me comunicar com a minha mãe?”, relatou em entrevista ao Diário do Nordeste.
As mãos da jovem foram reimplantadas em uma cirurgia que durou cerca de 12 horas e mobilizou 15 profissionais da saúde. Atualmente, ela consegue movimentar apenas os dedos, e a recuperação parcial dos movimentos pode levar entre seis meses e um ano.
O crime aconteceu na madrugada do dia 1º de maio. Segundo as investigações, o ataque foi executado pelo ex-cunhado Evangelista Rocha dos Santos, a mando do irmão dele, Ronivaldo Rocha dos Santos, companheiro de Ana Clara na época.
Mesmo gravemente ferida, a jovem se fingiu de morta para sobreviver. Após a saída do agressor, conseguiu se arrastar até o corredor da casa e pedir ajuda aos vizinhos.
Ana Clara relatou que vivia um relacionamento abusivo e controlador. Segundo ela, o companheiro a impedia de estudar para concurso da Polícia Militar, mandou que abandonasse a faculdade de Nutrição e controlava até suas roupas e maquiagem.
Os dois irmãos foram presos e respondem por tentativa de feminicídio.
Apesar do trauma, Ana Clara afirmou que deseja retomar os estudos, seguir o sonho de ingressar na Polícia Militar e voltar à faculdade. Ela também pretende usar a própria história para incentivar outras mulheres a denunciarem situações de violência.
“Eu quero ser uma voz para todas as mulheres que passam por isso. Se você não quer que aconteça com você o que aconteceu comigo, então se afaste, procure ajuda, denuncie”, declarou.
Texto e foto: reprodução/TN Online e Diário do Nordeste
Edição: Canal HP

