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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Dois pacientes da região aguardam autorização para receber polilaminina em Maringá

Dois moradores do norte do Paraná aguardam autorização judicial para integrar um grupo restrito de pacientes que poderão receber a polilaminina, tratamento experimental destinado a pessoas com lesão medular grave. Os candidatos são dois homens, um de Iretama e outro de Arapongas, que devem passar pelo procedimento na Santa Casa de Maringá.



Desde janeiro, três pacientes já foram submetidos à aplicação da substância na unidade hospitalar, que vem se consolidando como referência no Sul do país para esse tipo de protocolo clínico.

O primeiro paranaense a receber a polilaminina foi o aposentado Juarez de Almeida, de 64 anos, vítima de um acidente de moto em Colorado. Tetraplégico após lesão cervical, ele passou pelo procedimento no dia 8 de janeiro, poucos dias após a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos casos clínicos no Brasil.

De acordo com a neurocirurgiã Katia Nakamura, chefe do serviço de neurocirurgia da Santa Casa, o paciente apresentou melhora inicial considerada expressiva, com recuperação parcial da sensibilidade abaixo da área lesionada e avanço nos movimentos dos braços e nas respostas sensoriais nas pernas.

Apesar da evolução positiva, Juarez morreu semanas depois em decorrência de complicações hospitalares. Segundo a equipe médica, ele desenvolveu fadiga pulmonar, precisou ser entubado, apresentou pneumonia e evoluiu para sepse. A médica ressaltou que o desfecho não teve relação com a aplicação da substância, mas com intercorrências clínicas comuns em casos de lesão cervical alta.

Outros dois pacientes já tratados seguem em acompanhamento periódico, conforme prevê o protocolo, com avaliações em um, três, seis e doze meses após o procedimento. Ambos teriam apresentado melhora na sensibilidade.



Segundo Katia Nakamura, a Santa Casa passou a receber casos encaminhados após entraves administrativos em hospitais paulistas. Em uma das situações, o procedimento chegou a ser cogitado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não foi autorizado pelo setor jurídico da instituição por se tratar de estudo clínico.

A equipe responsável pelo desenvolvimento e aplicação da polilaminina, liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, tem enfrentado dificuldades logísticas em diferentes unidades hospitalares, como restrições para entrada de equipe externa em centro cirúrgico e exigências protocolares. Diante da estrutura e do cumprimento rigoroso das normas técnicas, a unidade de Maringá passou a ser considerada referência para a realização do procedimento.

A aplicação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, por técnica percutânea, sem necessidade de abertura da coluna. A substância é injetada diretamente na medula, em pontos estratégicos da área lesionada, com o objetivo de estimular a reconexão neural e reduzir o processo cicatricial.

Os dois novos pacientes aguardam decisão judicial para uso compassivo do medicamento. A liberação depende de autorização da Justiça, análise do laboratório responsável e aval da Anvisa, além da organização logística para envio da equipe e da medicação.



A polilaminina é autorizada apenas para casos de lesão medular aguda ou subaguda, até 90 dias após o trauma, e destinada a pacientes classificados como ASIA A, ou seja, sem sensibilidade ou movimento abaixo do nível da lesão. Por se tratar de estudo clínico, o tratamento não é custeado pelo Sistema Único de Saúde nem por planos privados, e os custos hospitalares e judiciais ficam sob responsabilidade das famílias.

Enquanto aguardam a autorização, os dois pacientes da região permanecem na expectativa. A equipe médica destaca que a aplicação dentro do período indicado é determinante para ampliar as chances de resposta clínica positiva.

Fonte: GMC Online

Edição: Canal HP


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