Um caso inusitado registrado em uma hamburgueria de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, acendeu um alerta sobre o uso da inteligência artificial na aplicação de golpes contra estabelecimentos comerciais. Um cliente teria utilizado recursos de IA para inserir a imagem de uma barata em um hambúrguer, na tentativa de conseguir o reembolso de um pedido feito por aplicativo de delivery.
Segundo informações divulgadas pelo estabelecimento, o pedido foi realizado às 19h28 e entregue ao consumidor às 19h57. Cerca de uma hora depois, às 21h04, o cliente entrou em contato afirmando que a embalagem havia chegado com o lacre aberto e que encontrou uma barata dentro do lanche.
Na mensagem enviada à hamburgueria, o consumidor escreveu: “Veio uma barata no meu hambúrguer e chegou aberta a embalagem. Perdi meu dinheiro e fiquei sem lanche, deu nojo de comer tudo.”
A versão apresentada, no entanto, despertou desconfiança dos funcionários e da gerência. O proprietário da hamburgueria, Alisson Zen, informou que uma análise detalhada da fotografia enviada pelo cliente revelou diversos indícios de manipulação digital.
Entre os pontos observados estavam o fato de a suposta barata aparecer completamente limpa, sem qualquer resíduo de molho ou gordura, além da maionese exibida na imagem apresentar uma coloração diferente da utilizada pelo estabelecimento. Outro detalhe chamou atenção: o molho aparecia na parte superior do pão, enquanto o padrão de montagem da hamburgueria coloca a maionese na base do hambúrguer.
Para esclarecer a situação, o estabelecimento enviou um motoboy ao endereço do cliente para recolher o lanche e realizar uma verificação presencial. No entanto, segundo a empresa, o consumidor não atendeu o entregador.
O caso também chamou a atenção das autoridades. De acordo com o delegado Emmanoel David, a utilização de inteligência artificial para aplicar golpes tem se tornado cada vez mais comum. Ele explica que, dependendo das circunstâncias, a conduta pode configurar crime de estelionato, na forma tentada ou consumada. Caso o autor ainda registre formalmente uma acusação falsa contra o estabelecimento, poderá responder também pelo crime de falsa comunicação de crime.
Diante desse tipo de situação, a orientação da Polícia é para que comerciantes adotem medidas preventivas, como registrar por meio de fotos ou vídeos todo o processo de preparo, montagem e embalagem dos alimentos. Esses registros podem servir como prova para demonstrar que o produto saiu do estabelecimento em perfeitas condições e ajudar na identificação de eventuais tentativas de fraude.
Informações da TnOnline com edição do Canal HP
