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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Prefeito esclarece polêmica sobre CPF de pessoa falecida vinculado à folha de pagamento em São Pedro do Ivaí

O prefeito de São Pedro do Ivaí, Rildo Bernardes de Camargo, se manifestou nesta quinta-feira (27) sobre questionamentos levantados durante a última sessão ordinária da Câmara de Vereadores envolvendo a vinculação do CPF de um ex-servidor, falecido em 2025, aos empenhos da folha de pagamento do município. Segundo o prefeito, após análise dos setores técnicos, foi constatado que o documento era utilizado no sistema desde 2005 como referência para a geração dos empenhos, sem significar que os valores da folha fossem pagos ao titular do CPF.



Rildo afirmou considerar legítima a fiscalização realizada pelos vereadores e disse que, após receber um ofício da Câmara solicitando esclarecimentos, encaminhou o caso aos setores de Contabilidade, Controle Interno, Financeiro e demais responsáveis pela prestação de contas do município. “É um questionamento muito importante por parte dos vereadores. A função do vereador é fazer a fiscalização e nós estamos de acordo com essa fiscalização”, afirmou.

De acordo com a explicação apresentada pela contabilidade ao prefeito, em 2005 um CPF teria sido vinculado ao credor utilizado pelo sistema para processamento dos empenhos da folha dos servidores. O número permaneceu cadastrado ao longo dos anos e continuou aparecendo nos documentos durante diferentes administrações municipais.

O CPF pertencia a um servidor público municipal da época, que faleceu em 2025. Conforme Rildo, o cadastro era utilizado apenas como identificação técnica necessária ao antigo sistema para gerar o chamado espelho do empenho da folha de pagamento. “Desde 2005 ficou vinculado à folha de pagamento o credor 195 e esse CPF. Os pagamentos não eram feitos para essa pessoa. Depois do empenho vinha a relação dos servidores daquele departamento, com as respectivas contas bancárias e os valores líquidos a receber”, explicou.

Durante a entrevista, o prefeito apresentou documentos de diferentes anos e gestões que, segundo ele, demonstram a continuidade do mesmo procedimento. Rildo citou registros das administrações de Cristiane Bento, Maria Regina Della Rosa Magri e José Donizete Zalberti, além da atual gestão.

Segundo o prefeito, a situação somente ficou mais evidente após a Prefeitura substituir o sistema utilizado na administração municipal, durante a integração entre 2025 e 2026. O programa mais recente passou a identificar automaticamente o nome relacionado ao CPF cadastrado, fazendo com que o nome do antigo servidor aparecesse associado à folha. “Se não tivesse mudado o sistema, provavelmente continuaria saindo o CPF dele e o empenho da folha de pagamento do mesmo jeito”, afirmou.

Rildo informou que o procedimento foi corrigido em 2026. Atualmente, segundo ele, os empenhos são emitidos tendo como credor a Prefeitura Municipal de São Pedro do Ivaí e utilizando o CNPJ do município.

O prefeito mostrou como exemplo documentos referentes à folha de junho de 2026, nos quais, segundo ele, já aparece a Prefeitura como credora, acompanhada da relação dos setores e dos servidores que receberam os pagamentos.

Rildo também negou que os valores apontados nos empenhos tenham sido depositados na conta do titular do CPF. Segundo ele, a conta mencionada durante os questionamentos seria uma conta destinada à folha de pagamento do município, de onde os recursos eram posteriormente transferidos individualmente aos servidores. “Vem a relação constando o nome de todos os servidores daquele departamento, os respectivos números das contas bancárias e os valores líquidos a receber. Nem eu e nenhum dos antigos gestores que aqui passaram fizeram algo de irregular ou roubaram a prefeitura. O que aconteceu é que a geração da folha foi automatizada utilizando o CPF do então servidor, mas não há fraude alguma”, afirma Rildo.

Ainda de acordo com o prefeito, o mesmo modelo de empenho passou por prestações de contas encaminhadas ao Tribunal de Contas do Paraná ao longo de aproximadamente duas décadas. Ele atribuiu a situação a um procedimento técnico adotado no sistema antigo e mantido posteriormente sem que gestores ou vereadores tivessem conhecimento específico do vínculo.

Durante a entrevista, Rildo fez críticas à maneira como o assunto foi apresentado publicamente, afirmando que questionamentos técnicos deveriam ser esclarecidos junto aos departamentos responsáveis antes de qualquer conclusão sobre eventual irregularidade. Ao mesmo tempo, reforçou que respeita o papel fiscalizador do Legislativo. “Eu respeito muito a posição do vereador e quero trabalhar em harmonia com o Legislativo. O vereador está lá para fazer a fiscalização, é o seu dever”, disse.

O prefeito também afirmou que conversou com familiares do ex-servidor cujo CPF aparecia nos documentos e lamentou a repercussão envolvendo o nome de uma pessoa já falecida e totalmente idônea.



Para ampliar os esclarecimentos, Rildo informou que convocou os vereadores para uma reunião na Prefeitura, onde pretende apresentar os empenhos e demais documentos relacionados ao caso. “Vou fazer a mesma explanação, com documentos que mostram a situação. O gabinete está aberto para os nove vereadores e para a população que quiser tirar dúvidas”, declarou.



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