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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Desmatamento na Amazônia reduz chuvas no Paraná e ameaça produção agrícola, aponta estudo



O avanço do desmatamento na Amazônia tem relação com a redução das chuvas registradas na Bacia do Rio Iguaçu, no Paraná. A conclusão faz parte de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram dados sobre a perda de vegetação na Amazônia com registros de precipitação coletados em 64 estações pluviométricas. O período analisado compreendeu janeiro de 2011 a dezembro de 2023.

A análise identificou uma correlação entre os períodos de maior desmatamento na região amazônica e a ocorrência de menores volumes de chuva na bacia paranaense.

O artigo científico foi publicado no fim de julho na revista Brazilian Journal of Biology. A pesquisa utilizou dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Segundo os pesquisadores, os resultados não significam que toda redução de chuva ou período de seca registrado no Paraná seja provocado pelo desmatamento da Amazônia. No entanto, o estudo reforça a importância da floresta para o regime de chuvas em outras regiões do continente.

De acordo com Ana Carolina da Silva, uma das autoras da pesquisa, aproximadamente 40% da chuva que chega ao Paraná tem relação com a umidade proveniente da região amazônica.

“A Amazônia não é um sistema isolado da região Norte do país; ela afeta toda a América do Sul, inclusive o Paraná. Quanto maior for o desmatamento observado na Amazônia, menores tenderão a ser os volumes de chuva registrados no estado”, afirma a pesquisadora.

Impactos na agricultura e geração de energia

A pesquisa concentrou a análise na Bacia do Rio Iguaçu, considerada uma área estratégica para o Paraná e que abrange regiões do Leste, Sul, Sudoeste e Oeste do estado.

Segundo o estudo, a área envolve 35 municípios e concentra aproximadamente 60% da produção de grãos e 23% da pecuária paranaense. A bacia também possui cinco grandes reservatórios utilizados para geração de energia elétrica.

Esses reservatórios são responsáveis por aproximadamente 41% da geração hidrelétrica estadual, conforme dados da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apresentados pelos pesquisadores.

Os resultados chamam atenção para os possíveis reflexos da perda da vegetação amazônica muito além da região Norte, especialmente sobre atividades que dependem diretamente da disponibilidade de água, como a agricultura, a pecuária e a geração de energia no Paraná.


Informações do G1 com edição do Canal HP


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