O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante sabatina da TV Globo na noite desta sexta-feira (16), que não pretende tentar reverter o fim da escala 6x1 caso seja eleito. Ele também descartou indicar o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores e disse que um eventual cargo para o pai, Jair Bolsonaro, “não está no radar”.
A declaração sobre a jornada de trabalho ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141/2026, que estabelece dois dias de descanso semanal e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Flávio afirmou que mudou de posição sobre o tema após percorrer o país durante a campanha e ouvir trabalhadores favoráveis à mudança. O senador votou a favor da proposta no Congresso.
“Rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores. Como ouvi que muitos estavam favoráveis ao fim da escala 6x1, eu votei de acordo com a maioria”, declarou. Questionado sobre uma eventual tentativa de reverter a medida, respondeu que não pretende fazê-lo e destacou que a mudança foi uma decisão do Congresso.
Durante a entrevista, o candidato também declarou que pretende manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação, a vinculação das aposentadorias ao piso nacional e os investimentos mínimos constitucionais em saúde e educação.
Ao ser questionado sobre propostas de redução das despesas públicas, Flávio citou, entre outras medidas, a possibilidade de diminuir o número de ministérios e buscar novas receitas. O candidato também voltou a afirmar que não pretende disputar a reeleição caso vença o segundo turno.
Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro
Flávio também foi questionado sobre a participação de familiares em uma eventual administração.
Sobre Jair Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente nunca conversou com ele sobre ocupar um cargo no governo. “Não está no radar”, declarou. Apesar disso, indicou que pretende continuar ouvindo e se aconselhando com o pai.
Já sobre Eduardo Bolsonaro, foi categórico ao afastar a possibilidade de nomeá-lo ministro das Relações Exteriores.
“Eduardo não vai ser meu chanceler”, afirmou durante a entrevista.
Relação com Daniel Vorcaro também foi abordada
Outro tema da sabatina foi a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, envolvendo recursos destinados à produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Flávio declarou que os recursos utilizados no projeto eram privados e afirmou que não houve qualquer contrapartida relacionada à sua atuação como senador. O candidato disse que procurou diferentes investidores para financiar a produção.
O assunto tem sido alvo de questionamentos após a divulgação de informações sobre as negociações envolvendo o projeto e os valores destinados à produção.
STF e segurança pública
A entrevista também abordou temas como segurança pública, armas e o Supremo Tribunal Federal.
Flávio defendeu investigações sobre ministros do STF que tenham sido citados em conversas relacionadas a Vorcaro e voltou a fazer críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
As declarações ocorreram durante uma das últimas sabatinas dos candidatos antes do segundo turno da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda têm debates previstos durante a reta final da campanha.


